A UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta vem divulgar os dados referentes ao Observatório de Mulheres Assassinadas de 2007 e a comparação com os anos anteriores, desde 2004.
Em 2007, morreram 22 mulheres, vítimas da violência de género nas relações de intimidade, às mãos de maridos, companheiros, namorados, ex-maridos, ex-companheiros e ex-namorados.
Como se pode observar pelo gráfico abaixo apresentado, 71% dos homicidas mantinham ainda uma relação de intimidade com a vítima, sendo que em 19% essa relação estava quebrada. No entanto, o fim da relação não impediu que os agressores tivessem continuado a perseguir a vítima até à morte. Para alguns homens, «até que a morte nos separe» é levado literalmente.
HOMICÍDIOS 2007 RELAÇÃO DO AGRESSOR COM A VÍTIMA

Para além das 22 mulheres assassinadas, foi igualmente vítima de homicídio 1 pessoa (vítima associada): uma criança do sexo masculino.
Mais ainda, 59 mulheres foram vítimas de tentativas de homicídio, associando-se a este número mais 18 pessoas (vítimas associadas), incluindo, filhos e pais das vítimas.
TENTATIVAS HOMICÍDIO / AGRESSÕES 2007 RELAÇÃO DO AGRESSOR COM A VÍTIMA

Mais uma vez, a UMAR vem afirmar como a violência doméstica é letal, não apenas para as mulheres, mas também para as suas crianças, família alargada, vizinhos, no fundo para a sociedade em geral. São números brutais que nos obrigam a prestar atenção redobrada ao problema social da violência doméstica contra as mulheres.
Relativamente à idade das vítimas, podemos observar no gráfico que, no que se refere aos homicídios, o maior número se concentra nas idades entre os 36 e os 50 anos, seguida da idade entre os 24 e os 35 anos. Mulheres na maturidade dos seus percursos, brutalmente arrancadas à vida por alguém que, na maior parte dos casos, as brutalizava de há longa data e levou as ameaçam até ao fim. Nas tentativas de homicídio, sendo também a faixa etária dos 36 aos 50 anos que regista o maior número de vítimas, é seguido pelas mulheres maiores de 51 anos, na sua maioria, vítimas de maus tratos há décadas.

É pois face a estes números brutais que a sociedade enquanto tal se tem de mobilizar para prevenir toda a violência doméstica contra as mulheres nas relações de intimidade, prevenindo que a situação venha a ter um desenlace assim fatal.
Podemos afirmar, a partir dos dados que obtivemos até ao momento, a não identificação de um perfil de agressor, já que os agressores se distribuem por diversas faixas etárias, diferentes classes sociais, distintas habilitações, são urbanos e rurais, de diferentes culturas e etnias. Combinando homicídios e tentativas, podemos observar no gráfico abaixo, as idades situam-se, para os homicídios, entre os 24 e os 35 anos, sendo que para as tentativas, é fundamentalmente entre os 36 e os 50 anos que encontramos o maior número de agressores.

Relacionando com os anos anteriores, podemos observar as idades dos agressores :

Apesar de, em 2004, não tenhamos dados sobre as idades de uma grande parte dos agressores, podemos observar que, enter 2004 e 2007, a maioria concentra-se na faixa etária maiores de 50 anos. No que se refere aos distritos onde ocorreram os homicídios e as tentativas, podemos observar o gráfico abaixo.

Assim, foi em Lisboa (16), em Aveiro (11), no Porto (7) e em Braga (5), onde ocorreu maior número de tentativas, tendo sido em Lisboa (6), Porto (3), Setúbal (2) e Leiria (2) os distritos onde ocorreram mais homicídios. Embora, seja necessário equacionar relativamente ao número da população de cada distrito, também sabemos que estes homicídios e tentativas são ainda uma aproximação por defeito, sendo uma realidade à qual ainda não temos acesso na sua globalidade.
No que se refere à distribuição pelos meses do anos e tendo em conta os homicídios de 2004 a 2007, podemos observar que, em 2007, o mês mais fatídico foi Julho, com 5 mortes, 3 vítimas directas e 2 vítimas associadas, sendo que em 2006 foi Maio com 8 mortes, seguido de perto de Setembro, com 7, no ano de 2005, foi igualmente Julho com 5 mortes, seguido de perto por Agosto e Setembro com 4 mulheres assassinadas e, em 2004, foi Agosto que registou o maior número de homicídios, 8 mortes.
HOMICÍDIOS 2004 a 2007
|
|
Mortes 2004
|
Mortes 2005
|
Mortes 2006
|
Mortes 2007
|
Totais2004-2007
|
|
Janeiro
|
3
|
2
|
4
|
0
|
9
|
|
Fevereiro
|
4
|
3
|
1
|
2
|
10
|
|
Março
|
2
|
1
|
0
|
2
|
5
|
|
Abril
|
4
|
5
|
3
|
2
|
14
|
|
Maio
|
3
|
3
|
7
|
3
|
16
|
|
Junho
|
4
|
1
|
1
|
1
|
7
|
|
Julho
|
1
|
5
|
1
|
5
|
12
|
|
Agosto
|
8
|
4
|
5
|
0
|
17
|
|
Setembro
|
4
|
4
|
7
|
4
|
19
|
|
Outubro
|
4
|
3
|
3
|
1
|
11
|
|
Novembro
|
0
|
3
|
2
|
1
|
6
|
|
Dezembro
|
3
|
1
|
2
|
1
|
7
|
|
Totais/mês
|
40
|
35
|
36
|
22
|
133
|
Segundo indicam os dados, os meses de Verão, Julho, Agosto e Setembro, são sangrentos para as mulheres em consequência deste tipo de violência.
|